O Projeto

Tonheca Dantas: o Maestro dos Sertões, visa preservar e homenagear a memória deste músico potiguar e os 100 anos da valsa Royal Cinema, completados em 2013. O projeto conta com o patrocínio do Morada da Paz, uma empresa do Grupo Vila, e da Prefeitura de Natal, por meio da Lei Djalma Maranhão, realizado pela Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte - OSRN e a Cooperativa da Música Potiguar - COMPOR. De acordo com o Diretor do Grupo Vila, Eduardo Vila: “Queremos não apenas preservar mas também divulgar mais a obra de Tonheca Dantas. Tenho certeza que deixaremos esse legado gravado em grande estilo pela OSRN, parceira do projeto”.

O encarte acompanha dois CD’s, um contendo treze músicas de Tonheca Dantas executadas pela OSRN e outro com fotografias, partituras dos arranjos e o e-book “A Desfolhar Saudades: uma Biografia de Tonheca Dantas”, do professor e escritor Claudio Galvão e será distribuído gratuitamente entre orquestras, bandas de música, escolas e bibliotecas do Rio Grande do Norte. O conteúdo também será disponibilizado de forma gratuita pela internet.

Para o Produtor Cultural da Cooperativa da Música Potiguar, Claudio Machado, a necessidade de proteger e promover a obra de Tonheca Dantas é a principal justificativa para esse resgate. “A obra de Tonheca corria (e ainda corre) o risco de ficar no ostracismo, pois embora tenha sido um autor de renome nacional e uma referência para a música do Rio Grande do Norte, todo esse material encontra-se disponível apenas no acervo de poucos grupos e admiradores, com uma quantidade pequena de registros se comparada à grandeza de seu legado”, afirma.

Resgatar a memória musical de Tonheca Dantas é mais do que nunca resgatar a memória de um povo e reafirmar o merecido lugar do “Maestro dos Sertões” na história da nossa música.

Ao abrir-se a gaveta de suas composições abrimos também a caixa de pandora de melodias de uma época de ouro, e redescobrimos uma linguagem ao mesmo tempo singela e sofisticada.

Participar deste momento cultural de resgate musical através da elaboração de um CD é sem duvida um momento de muito orgulho e satisfação, mas principalmente da certeza de estar contribuindo para que outros possam conhecer e desfrutar a beleza de sua música.

Dr. Linus Lerner - Maestro da Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte
Patrocínio
  • Prefeitura do Natal

Opinião compartilhada pelo autor da biografia do maestro, Claudio Galvão, que passou anos pesquisando sobre a vida de Tonheca Dantas e espera que com a divulgação do encarte o mesmo não seja esquecido nem hoje e nem no futuro. “Tonheca Dantas foi um sertanejo genial que, com os poucos recursos que dispunha para aprender música, alcançou um elevado nível de conhecimento técnico que, aliado a sua sensibilidade e criatividade, o levaram a mais elevada posição entre os músicos do Rio Grande do Norte, com uma popularidade que se estendeu pelo Nordeste e pelo restante do país. Não seria arriscado afirmar que ainda hoje este posto pertence a ele”, declara.

À frente da Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte desde setembro de 2012, o experiente maestro e regente gaúcho, Linus Lerner, afirmou estar muito satisfeito em trabalhar e conhecer melhor a música de Tonheca Dantas. “Conhecia apenas a Royal Cinema da obra dele. Nesse projeto a obra de Tonheca foi arranjada para orquestra e isso deu uma nova roupagem, diferente do que as pessoas estão acostumadas a ouvir na música dele. A ideia de trabalhar a música de Tonheca Dantas é parte do trabalho que quero fazer de resgate da nossa imagem, nossa identidade. É importante que as gerações futuras conheçam a nossa história, a nossa tradição. Saibam quem foi Tonheca Dantas e qual foi a contribuição dele no âmbito musical do RN”, enfatiza.

Este projeto surgiu da necessidade de proteger e promover este patrimônio potiguar, oferecendo condições para que o legado deixado por Tonheca Dantas possa ser apropriado por seu povo, pois ela corria (e ainda corre) o risco de ficar no ostracismo. A produção e divulgação deste CD preenche duas lacunas importantes: produzir um registro da OSRN acessível ao grande público e a promoção da obra de Tonheca Dantas: Profícuo compositor de belíssimas músicas, dentre elas Royal Cinema, composição conhecida internacionalmente e que em 2013 completou 100 anos.

Claudio Machado - Produtor Cultural
realização
apoio

Tonheca Dantas

Antônio Pedro Dantas, conhecido como Tonheca Dantas (1871–1940) nasceu em Carnaúba dos Dantas, filho de João José Dantas e da escrava alforriada Vicência Maria do Espírito Santo. Foi músico, compositor e maestro, sendo autor de uma obra de mais de mil peças musicais.
Despertou seu gosto pela música ainda na infância, aprendendo com seus irmãos que tocavam em uma banda de música de sua cidade. Tonheca era autodidata e não teve nenhuma formação musical. Foi maestro da Banda de Música da Polícia Militar do Rio Grande do Norte e regente da Banda de Música do Corpo de Bombeiros de Belém do Pará e da Banda de Música da Polícia Militar da Paraíba. Também ensinou música em muitas bandas do interior potiguar e paraibano.

Autor de mais de 1000 peças musicais, uma delas conhecida inclusive mundialmente, a valsa Royal Cinema que tocou na BBC de Londres, durante a Segunda Guerra Mundial.  O maestro potiguar Tonheca Dantas, teve parte de sua obra resgatada e divulgada através destes cds com encarte. O material será distribuído gratuitamente entre orquestras, bandas de música, escolas e bibliotecas de todo o país e terá seu conteúdo disponibilizado de forma gratuita pela internet.

Suas composições eram principalmente valsas, mas também dobrados, maxixes, hinos, xotes, polcas, marchas e outros gêneros musicais orquestrados. São obras famosas também a valsa Delírio, a suíte Melodia do Bosque, a valsa A Desfolhar Saudades, a marcha solene Republicana e o dobrado Tenente José Paulino.

O ex-prefeito de Natal, Djalma Maranhão, costumava chamar Tonheca Dantas de Strauss Papa-Jerimum. Para homenagear e lembrar o legado do maestro, uma das salas do Teatro Alberto Maranhão recebeu o nome Tonheca Dantas.

Despertou seu gosto pela música ainda na infância, aprendendo com seus irmãos, que tocavam em uma banda de música de sua cidade, e logo se tornou um multi-instrumentista tocando flauta, trompete, saxofone, clarinete, esse último seu instrumento preferido.  Tonheca era autodidata e não teve nenhuma formação musical. Foi maestro da Banda de Música da Polícia Militar do Rio Grande do Norte e da Banda de Música do Corpo de Bombeiros de Belém do Pará e regeu as bandas de música das cidades de Alagoa Grande e Alagoa Nova, no interior da Paraíba. 

Tonheca Dantas

“Um homem à frente do seu tempo, um autodidata, homem simples do interior do nosso Rio Grande do Norte, que foi capaz de elaborar músicas com muita qualidade”. Assim é definido o maestro pelo idealizador do projeto Eduardo Vila, que é diretor do Grupo Vila/Morada da Paz, empresa que investiu no projeto via Lei de Incentivo à Cultura Djalma Maranhão, do município de Natal.

Tonheca Dantas, o gênio musical de Carnaúbas do Dantas, RN, cedo deixou sua pequena cidade e, em 1898 ganhava, por concurso, o posto de mestre da banda de música da Polícia Militar do RN. Nunca havia frequentado uma escola de música ou convivido com musicistas mais competentes que ele; era como se já houvesse nascido sabendo. Habituado às pequenas bandas de música, que diria Tonheca Dantas tendo em mãos um primoroso CD totalmente seu, gravado pela Orquestra Sinfônica do seu Estado? Qual seria a sua reação ao saber que detalhes da sua vida estão à disposição dos interessados de qualquer parte do mundo grašas à informática?

Nós, os seus admiradores, privilegiados por este notável empreendimento, sentiremos por ele o orgulho e a alegria por saber que tudo isso é belo, é grande e é nosso.

Claudio Galvão - Historiador e Autor da biografia "A Desfolhar Saudades"

100 Anos Royal Cinema

Em 2013 a valsa Royal Cinema, principal obra de Tonheca Dantas, está completando 100 anos, repletos de muitas histórias como o fato de ter sido tocada durante a segunda guerra mundial pela rádio BBC de Londres, embora na ocasião atribuída a autor desconhecido. Mas afinal, como surgiu esta primorosa obra que a tantos encantou e ainda encanta?

Existem três versões sobre a origem da Royal Cinema e uma quarta que une todas elas, elaborada pelo historiador Claudio Galvão. A primeira delas conta que a obra teria sido encomendada pelo proprietário do Royal Cinema, em Natal/RN, José Petronilo de Paiva, para ser tocada durante a exibição dos filmes mudos. Tonheca entregou a composição em manuscrito, tendo no verso a valsa Boas Festas e recebeu em pagamento 50 mil réis. Na segunda versão, a música foi composta quando Tonheca residia em Belém, encomendada pelo Dr. Sílvio Chermont, para presentear a noiva dele, sendo esta partitura a mesma que foi vendida ao proprietário do Royal Cinema. Já de acordo com a terceira versão, a música foi tocada por uma aluna dele, a pedidos do próprio Tonheca, que estava querendo testar uma das inúmeras valsas que ele compunha em noites de insônia, recebendo então o nome do cinema que estava na moda na época em Natal/RN, Royal Cinema.

No entanto, para o historiador Claudio Galvão é possível uma compatibilização entre estas versões pois elas não se opõem em nada. Desta forma ele sugere a seguinte sequência de fatos:

  1. A valsa foi composta em Belém , em 1903, e Tonheca manteve com ele uma cópia, trazendo-a para Natal, mesmo sem divulgá-la;
  2. O proprietário do Royal Cinema encomendou, em 1913, uma valsa para ser tocada durante as exibições;
  3. Tonheca tirou da gaveta onde guardava suas composições exatamente aquela feita em Belém, pediu a uma aluna para experimentar a versão para piano, entregando-a, posteriormente, ao proprietário do cinema e encaminhando-a à publicação, em junho de 1914, pela Casa Bevilacqua do Rio de Janeiro.

Desde a sua publicação a valsa Royal cinema ganhou em pouco tempo grande repercussão, tornando-se, a principio, conhecida em Natal, em seguida no Brasil e até mesmo em outros países. De acordo com Claudio Galvão, “sua melodia expressiva e cativante caiu logo no gosto do povo, invadindo bem cedo os saraus familiares através da sua partitura para piano” e foi assim que a valsa Royal Cinema tornou-se popular nos mais diversos ambientes, sendo tocada desde os pianos das famílias aos salões de bailes populares ou aristocráticos”.

Referência:
Galvão, Claudio. A Desfolhar Saudades - Uma biografia de Tonheca Dantas,1998.

O projeto Tonheca Dantas: o maestro dos sertões possui um valor especial, pois a ideia partiu da minha admiração por este homem tão genial e por possíveis ligações genealógicas que descobri. Tonheca Dantas é um conterrâneo ilustre e tem uma história muito interessante. Tive a ideia de resgatar a obra dele e assim perpetuar sua música e história. Temos a garantia que deixaremos esse legado gravado em alto estilo pela Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte. O apoio à cultura, e principalmente a memória, é uma preocupação do Morada da Paz enquanto cemitério. O que é um cemitério senão um local de preservação de histórias de vida? Somos uma empresa preocupada com a memória local que deve ser preservada através dos nossos personagens.

Eduardo Vila - Diretor do Grupo Vila

A Orquestra

A Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte foi criada pelo Decreto nº 6874 de março de 1976, assinado pelo então Governador Tarcísio Maia, através de iniciativa do, à época, Secretário de Educação e Cultura, Professor João Faustino, passando a pertencer aos quadros administrativos da mesma Secretaria.

O primeiro concerto foi realizado em 11 de março de 1977, e teve como maestro o pernambucano Mário Câncio Justo dos Santos, que organizou e regeu a orquestra por aproximadamente 10 anos. A orquestra começou com um quadro de 23 músicos efetivos, dos quais apenas cinco residiam na cidade do Natal, e executava um repertório barroco e camerístico.

O primeiro concurso público para ingresso na Orquestra Sinfônica acontece em 1988, na gestão do então Governador Geraldo Melo. Assim, a orquestra foi ampliada e passou a contar com 60 músicos. Nessa mesma época o violinista e professor Osvaldo D’Amore passou a ser o novo regente da orquestra, cargo no qual permaneceu por quase 20 anos.

A Orquestra desde então passou a realizar um profícuo trabalho apresentando concertos oficiais no Teatro Alberto Maranhão, concertos populares externos, concertos educativos para toda a rede de ensino, bem como, concertos especiais no interior do Estado. A OSRN tem três CDs gravados, dentre os quais um com a participação dos artistas Sivuca, Canhoto da Paraíba, Moraes Moreira e Henrique Cazes.

Linus Lerner - Maestro Linus Lerner - Maestro Enéas Albuquerque - Solista Enéas Albuquerque - Solista

Desde a sua fundação, a Orquestra Sinfônica contou com a colaboração de vários diretores administrativos. A primeira foi Zuleika Romano, que esteve no cargo durante todo o período do então maestro Mário Câncio. Posteriormente assumiram o cargo: Selma Sá, Diana Fontes, Olga Aranha, Deijair Borges, Candinha Bezerra, Gina Cavalcanti, Fidja Siqueira, Paulo Henrique de Lima (primeiro músico titular da OSRN a ocupar o cargo), Francisco José Alves, Maria das Dores, e atualmente Luiz Antonio Paiva (primeiro músico titular da OSRN escolhido diretamente por seus pares).

Em 2007 assumiu como regente da Orquestra Sinfônica o Maestro André Muniz; em 2011 assumiu por um curto período o Regente Pe. Pedro Ferreira; e em setembro de 2012 assumiu o atual Maestro Linus Lerner. Na atual temporada de 2013, a OSRN executa um projeto com regentes e solistas convidados, nacionais e internacionais, o que proporciona um crescimento musical imensurável para os músicos integrantes da OSRN, já que cada profissional convidado compartilha com a Orquestra sua concepção musical, sua experiência artística e sua interpretação para cada obra executada.

Atualmente a Orquestra conta com 60 músicos que ensaiam diariamente na Sala Tonheca Dantas no TAM, sede da OSRN, e continua com todo afinco a realizar um trabalho tanto educativo com a formação de novas plateias, quanto de difusão da música de qualidade, seja ela erudita ou popular. Um trabalho de suma importância para o desenvolvimento cultural do Estado do Rio Grande do Norte.

Participar de um momento histórico como este me deixa muito honrado, me faz relembrar os tempos de criança, quando ouvia as bandas tocarem dobrados em praša pública. Gravar este CD é contribuir para a educação musical de um povo, levando a ideia de um gênio para o mundo através da transformação musical orquestrada por companheiros de trabalho. Tocar e ouvir Royal Cinema, por exemplo, é fazer simples notas musicais escritas em um papel se transformarem em uma bela melodia que leva o homem a viajar no tempo.

Luis Antonio de Paiva - Violista e Diretor da Orquestra Sinf˘nica do Rio Grande do Norte

Músicas

Mídias

  • Livro

    Conheça todas as fotos históricas e pinturas utilizadas para ilustrar o livro "A Desfolhar Saudades".

  • Orquestra

    Veja como foram as apresentações da OSRN durante o processo de produção do projeto.

  • Vídeo

    Confira o documentário sobre o projeto Tonheca Dantas: O Maestro dos Sertões, assista o vídeo.

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